TIO BERNARD – UMA ANTILIÇÃO DE ECONOMIA

http://anti-lecon.com/

*Documentário, dirigido pelo canadense Richard Brouillette, estreia no dia 30 de junho, no Centro Cultural São Paulo;

*Será exibido também no Festival do Rio. Veja aqui a programação;

* Traz como figura central o economista Bernard Maris, morto nos atentados ao Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, em Paris;

* Cabine de imprensa acontece no Centro Cultural São Paulo, no dia 28 de junho, às 11h.

“ Uma homenagem vibrante e muito comovente à figura de Bernard Maris […]. Para descobrir e entrar na riqueza e na complexidade de um pensamento pleno de pujança e entusiasmo na negação dos dogmas neoliberais. […]  Uma decodificação erudita e elegante do ‘economiquês’, com potencial de colocar em xeque qualquer certeza ».

(jornal Libération)

 

Tio Bernard – Uma Antilição de Economia  (Oncle Bernard – Anti-leçon d’économie, Richard Brouillette, 2015) é um filme em torno do pensamento do economista francês Bernard Maris, também conhecido como Tio Bernard, morto em janeiro de 2015 nos atentados ao jornal hebdomadário Charlie Hebdo, em Paris. Além de editor do semanário, Bernard era economista, professor universitário e autor de diversos livros na área de economia.

Mas, para além das qualificações que podem ser elencadas a partir de seu extenso currículo, o que este documentário do diretor canadense Richard Brouillette deixa transparecer é o quanto Maris era, acima de tudo, um humanista. Pensador não ortodoxo ele pregava, de maneira muito racional, a desconstrução do discurso econômico hegemônico (ou do ‘terrorismo da palavra’, segundo seus próprios termos), denunciando sua incongruência, e se posicionando ferrenhamente em favor de valores coletivos e de bem-estar social: “Se tem duas noções que o capitalismo desconhece”, afirma Maris, “é a noção de bem e mal: o que importa aí é ganhar dinheiro”. A partir daí o que ele faz é esmiuçar, tentar destruir a “aura intocável” do discurso econômico que serve a propósitos opacos e que é difundido todos os dias nos jornais e na televisão em som uníssono.

Um documentário realizado em dois momentos

Inicialmente, a entrevista que Tio Bernard concedeu a Brouillette e à sua equipe no dia 8 de março de 2000 seria mais uma das muitas captadas pelo realizador naquele momento destinadas a compor seu documentário L’Encerclement – La démocratie dans les rets du néolibéralisme [O Cerco – A democracia nas redes do neoliberalismo], de 2008.

Não é preciso, contudo, que assistamos à Antilição de Economia por muito mais do que alguns minutos para percebermos, finalmente, porque Brouillette resolveu dar nova vida a esse precioso material que, apenas em partes, foi utilizado em L’Encerclement. O carisma e a lucidez de Maris são plenamente envolventes e capturam a atenção do espectador de maneira irrefutável.

Entre 2000 (momento da entrevista) e 2015 (quando o documentário é finalizado), o mundo passou por diversas transformações. Mesmo em termos cinematográficos, as transformações foram profundas: Antilição de Economia foi filmado em película 16mm, algo impensável nos dias de hoje.

Para além da excepcional entrevista que Brouillette realiza com Maris, um dos dados mais impressionantes sobre este documentário é justamente a forma como o tempo se torna um de seus protagonistas. Há várias abordagens temporais em Antilição de Economia.

Em primeiro lugar há o tempo da película que tem que ser respeitado: aí, é o cinema que impõe sua própria temporalidade. Na primeira troca de chassi necessária à continuação da entrevista, Bernard Maris se dá conta do que está sob seus olhos e se surpreende genuinamente: “Mas o que é essa câmera?! Mas isso é cinema de verdade! É cinema mesmo! Isso aí não é televisão!”.

Mas, para além da questão da temporalidade cinematográfica, há o peso do tempo histórico. Bernard Maris deu essa surpreendente entrevista em 2000, porém, de tão frescas que são suas palavras, temos a impressão que elas foram proferidas ontem. O mundo ganhou outra cara desde 2000, mas quanto estruturalmente ele mudou, afinal? Em que medida estamos presos a um círculo vicioso que apenas se repete continuamente? Essas são algumas das perguntas passíveis de serem feitas diante desse documentário que, no entanto, não cessa de nos colocar questões.

TIO BERNARD – UMA ANTILIÇÃO DE ECONOMIA

(Oncle Bernard – L’anti-leçon d’économie, documentário, 2015, 16 mm / HD, P&B, 79 min, Canadá/Espanha)

Direção: Richard Brouillette

Produção, realização, montagem: Richard Brouillette

Produtores associados: Denys Desjardins (Les Films du Centaure), Esteban Bernatas (Andoliado Producciones)

Fotografia: Michel Lamothe

Som: Simon Goulet

Trilha sonora: Éric Morin

Sinopse: Bernard Maris, ou melhor “Tio Bernard”, foi morto no atentado terrorista que atingiu a redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, no dia 7 de janeiro de 2015.

A fascinante entrevista com Maris, na qual se baseia este documentário – e que foi colhida no contexto de realização do filme L’Encerclement – La démocratie dans les rets du néolibéralisme [O Cerco – A democracia nas redes do neoliberalismo] (2008), do mesmo realizador -, constitui uma verdadeira antilição de economia, em que o economista pouco ortodoxo desmistifica a abordagem econômica da grande mídia. Sem maquiagem nem artifícios, o realizador deixa o verbo correr e é o discurso dissidente, afiado e atravessado de Maris que se sobrepõe. De forma bastante livre, ele descontrói de maneira contundente os dogmas alardeados por uma certa “ciência econômica”. Erudito e eloquente, porém dono de uma capacidade de traduzir para um discurso fácil e cativante os assuntos mais áridos, Tio Bernard desdobra ao longo deste documentário um pensamento corajoso em sua originalidade que se revela ainda mais valioso nestes tempos de austeridade econômica.

Sobre Bernard Maris

Bernard Maris nasceu em 1946, em Toulouse, sudoeste da França. Logo após a obtenção do título de Doutor em Economia pela Universidade de Toulouse 1, em 1975, se torna professor universitário. Ensinou principalmente no Instituto de Estudos Europeus e na Universidade Paris 8.

Suas frequentes aparições na radio France Inter lhe proporcionaram certa notoriedade em seu país. Em suas colunas no Charlie Hebdo, ele não media palavras para criticar a sociedade de consumo e a própria economia. Seu espírito carismático, porém sempre cáustico, conquistou um público fiel, tanto que algumas de suas obras se tornaram verdadeiros “best-sellers” na França: Keynes ou l’économiste citoyen, La Bourse ou la vie (escrito com Philippe Labarde) e ainda seus Antimanuais de Economia em dois tomos.

Bernard Maris foi morto no ataque ocorrido à sede do jornal hebdomadário Charlie Hebdo em Paris, em 7 de janeiro de 2015.

Sobre Richard Brouillette  

Richard Brouillette é canadense, produtor de cinema, diretor, editor e programador. Ele produziu e dirigiu Too Much Is Enough; Carpe Diem; Encirclement – Neo-Liberalism Ensnares Democracy; Prends garde à la douceur des choses e Oncle Bernard – A Counter-Lesson in Economics. Ele também produziu sete longas-metragens.

 

 

Distribuição:

Vai e Vem Produções

Contatos: liciane.mamede@gmail.com / cecilialara1@gmail.com

https://vaievemproducoes.com/

Assessoria de imprensa:

Serviço:

Estreia dia 30/06/2016, no Centro Cultural São Paulo

Rua Vergueiro, 1000

Ingressos: R$ 1,00

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