Nouvelle Vague Tcheca – Sinopses

mar

ATENÇÃO: NOVA PROGRAMAÇÃO NO CCBB RJ! 

consulte aqui a programação

Foto: As Pequenas Margaridas

(todos os filmes serão exibidos em película 35mm).

Um dia, um gato (Až přijde kocour)
1963, Tchecoslováquia, 101’, cor
Direção: Vojtěch Jasný
Numa pacata cidade da Tchecoslováquia, um contador de histórias conta para os alunos do romântico professor Robert a história de um antigo amor e seu gato de óculos escuros. Quando esse gato tira os óculos, ele colore as pessoas de acordo com seus sentimentos e personalidades: vermelho para os apaixonados, roxo para os hipócritas, amarelo para os desleais e cinza para os desonestos.  Uma fábula sobre o caráter humano observado por um gato, que só enxerga as pessoas pelo que realmente são.  Os adultos consideram o gato uma ameaça, as crianças o veneram.

O Choro (Křik)
1963, Tchecoslováquia, 77’, p&b
Direção: Jaromil Jireš
Primeiro longa de Jireš, espécie de retrato impressionista de um jovem casal, Slávek  e Ivana. Baseado em um livro de Ludvík Aškenazy, o filme mostra o cotidiano da esposa e do marido, porém durante os momentos em que não passam juntos, e por meio de memórias, fantasias e sequências documentais. Enquanto Ivana espera por uma vaga na seção de maternidade e Slávek passa os dias ocupado com seu trabalho de reparador de aparelhos de televisão, os dois refletem sobre os altos e baixos de seu relacionamento. Foi exibido em Cannes em 1964.

Alguma coisa de outro (O něčem jiném)
1963, Tchecoslováquia, 82’,  p&b
Direção: Věra Chytilová
Primeiro longa da diretora, o filme explora o cotidiano de duas mulheres, a dona de casa Vera e a ginasta Eva, que parecem desejar outras coisas para suas vidas. Enquanto a rotina da premiada ginasta Eva Bosokavá, que está treinando para uma importante competição, é filmada de modo documental, a vida da dona de casa é retratada por meio da ficção. Enquanto Eva está cansada de treinar exaustivamente todos os dias, e Vera estafada devido ao filho abusado e ao marido frio, somos confrontados com as aparentes ideias de ambas do que seria uma vida normal, em devaneios diários filmados de modo experimental. Jacques Rivette afirma ter se inspirado neste filme para fazer seu Out 1.

Pedro, o negro   (Černý Petr)
1963, Tchecoslováquia, 86’, p&b
Direção: Miloš Forman
Pedro tem 17 anos e começa a trabalhar como segurança de uma loja, onde atura pacientemente as insossas instruções de seu chefe. O trabalho parece fácil, mas, apesar de não haver uma abordagem explícita ao comunismo, o constrangimento de Pedro ao vigiar as pessoas é uma referência óbvia à situação política. Os dilemas de Pedro na loja são intercalados com outros do jovem em casa, onde escuta as duras críticas do pai. Em programas típicos de adolescentes, ele também confraterniza com  outros jovens e fracassa ao tentar dançar nas festas. Primeiro longa de ficção de Forman.

Coragem de todo dia (Kazdy den odvahu)
1964, Tchecoslováquia, 87’, p&b
Direção: Evald Schorm
Este longa de estreia de Evald Schorm acompanha a crise existencial do protagonista Jaroslav Lukas, por meio de imagens de fragmentos de sua vida e das pessoas envolvidas nela. Atormentado pela sociedade que o cerca e por sua tendência ao alcoolismo, Lukas entra em um labirinto de decadência espiritual e de sanidade psíquica. O diretor captura icônicas imagens de Praga dos anos 1960 e do affair de Lukas, a belíssima Vera. O filme é uma mistura de Juventude Transviada com os primeiros trabalhos dos cineastas Michelangelo Antonioni e Federico Fellini. Premiado no Festival de Locarno, em 1966.

Diamantes da noite (Démanty noci)
1964, Tchecoslováquia, 64’, p&b
Direção: Jan Němec
Obra mais sombria do enfant terrible  da NV tcheca, Jan Němec, o filme acompanha a fuga de dois jovens judeus, cujos nomes não nos são informados, mas sabemos que estão escapando de um trem que os levaria para um campo de concentração. Um filme quase sem diálogos, porém magistralmente acompanhado por ruídos, que mostra a devastação emocional e física de dois jovens em meio ao horror da guerra e da luta por comida e abrigo. O impacto visual é extremo e a referência mais explícita é à cena das formigas de Um Cão Andaluz (1929), de Luis Buñuel.

Iluminação Íntima (Intimní osvětleni)
1965, Tchecoslováquia, 71’, p&b
Direção: Ivan Passer
Petr, um músico de sucesso, volta à sua cidade natal para tocar com grupo de músicos idosos, liderado por seu velho amigo Bambas, membro da orquestra local e professor. Petr chega à cidade um dia antes do concerto, com sua namorada Stepa, e o filme acompanha o dia dos visitantes às voltas com a família de Bambas. O filme capta não só os ânimos da Tchecoslováquia nos anos 1960, como também daqueles breves encontros com quem amamos, mas, por algum motivo, vemos pouco.  Uma comédia melancólica sobre a simplicidade.

Os amores de uma loira (Lásky jedné plavovlásky)
1965, Tchecoslováquia, 85’, p&b
Direção: Miloš Forman
O exército envia reservistas para uma pequena cidade da Tchecoslováquia, onde jovens mulheres se sentem solitárias.  Em uma festa, as jovens percebem que todos os reservistas são homens de meia-idade e nada atraentes. Apenas Andula sai da festa acompanhada – pelo pianista de jazz Milda, que a convida para visita-lo em Praga. Ela vai, mas as coisas não saem como o esperado, e Andula precisa lidar com a recepção nada calorosa dos pais de Milda. A história é contada por Andula, e revela certa ambiguidade entre realidade e fantasia, num momento em que talvez a juventude só fosse possível na imaginação. Ganhador de vários prêmios na Europa e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1967.

As pequenas margaridas (Sedmikrásky)
1966, Tchecoslováquia, 74’, cor
Direção: Věra Chytilová
Carro-chefe da NV Tcheca, o filme acompanha as aventuras duas garotas, Marie I  e Marie II, que partem do seguinte princípio: já que o mundo está estragado mesmo, elas também vão se estragar. Um exercício audiovisual extravagante, anarquista e dadaísta, no qual as duas jovens vivem de excessos, consumindo e destruindo tudo que têm ao alcance, à custa de homens mais velhos e bobos. Uma explosão de cores psicodélicas e símbolos do inconsciente. A diretora definiu o filme como “uma farsa filosófica feminista”. A película foi imediatamente proibida pelo Governo, que alegou que o filme era um desperdício de comida e não transmitia nenhuma mensagem.

A festa e os convidados (O slavnosti a hostech)
1966, Tchecoslováquia, 68’, p&b
Direção: Jan Němec
Sobre uma festa que se transforma em prisão, sem que os convidados percebam. Conhecido como o filme “banido para sempre” da NV Tcheca, conta com a participação de vários intelectuais e artistas da época. Muito comparado a O Anjo Exterminador (1962) de Luis Buñuel, mostra a história de um grupo de convidados que se depara com um homem estranho no meio do caminho, que fala de coisas que ninguém entende, porém acaba envolvendo todos em seu discurso, e transformando-os em escravos de uma espécie de jogo do absurdo. Uma obra assustadora sobre as contradições da natureza humana e sobre a necessidade de controle, filmada exclusivamente ao ar livre.

Mártires do amor  (Mučedníci lásky)
1966, Tchecoslováquia, 71’, p&b
Direção: Jan Němec
O filme se divide em três episódios que exploram o amor e a tentação através das fantasias de três personagens. O primeiro curta acompanha o dia de um jovem tímido, que vive sonhando acordado com mulheres e partes do corpo feminino. O episódio revisita brevemente As Pequenas Margaridas (1966), com as mesmas atrizes representando também Marie I e Marie II, além de contar com uma breve participação do cineasta Lindsay Anderson. O segundo curta mostra uma mulher e suas fantasias sexuais com vários homens célebres. O terceiro acompanha a história de um homem solitário que é recebido com muito afeto, porém equivocadamente, por uma família estranha. Foi premiado em Locarno, em 1967.

O retorno do filho pródigo (Návrat ztraceného syna)
1966, Tchecoslováquia, 100’, p&b
Direção: Evald Schorm
O engenheiro Jan está tentando reorganizar a vida depois de uma tentativa de suicídio, e age como um típico personagem “Marcello” de Fellini: em constante crise de identidade e sempre usando óculos de sol ao estilo Godard. Ambientado tanto dentro do hospital psiquiátrico quando em meio a dilemas externos da sociedade considerada normal, o filme acompanha a trajetória de readaptação de Jan ao seu trabalho, seus amigos, sua família e sua transtornada esposa Jana, ao mesmo tempo em que o personagem tem de lidar com questões morais e existenciais. Enquanto isso, Jana tenta compensar a solidão arranjando um amante.

Trens estreitamente vigiados (Ostre sledované vlaky)
1966, Tchecoslováquia, 92’, p&b
Direção: Jiří Menzel
Os “trens estreitamente vigiados” eram aqueles que levavam suprimentos para o exército alemão durante a II Guerra. Inspirado no romance de Bohumil Hrabal, o filme se passa numa estação de trem da Tchecoslováquia ocupada pela Alemanha, e acompanha os dilemas e aventuras dos funcionários Hubicka e Milos. Hubicka é obcecado por seduzir mulheres, e MIlos está preocupado em agradar a namorada, porém sofre de ejaculação precoce. Por indicação do colega, ele procura uma mulher mais velha para ajuda-lo. O diretor Jiri Menzel aparece brevemente no filme, no papel do Dr. Brabec. Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1967.

Marketa Lazarová (Marketa Lazarová)
1967, Tchecoslováquia, 165’, p&b
Direção: František Vláčil
Baseado no romance homônimo de Vladislav Vancura, este filme se passa na Idade Média e retrata de forma poética a transição do mundo pagão para o mundo cristão, por meio da história de duas famílias rivais.  Marketa, uma bela jovem que aparece quase sempre calada, é raptada por uma das famílias, e, depois de estuprada, engravida. Considerado por muitos o grande épico da NV Tcheca e o melhor filme tcheco de todos os tempos, é comparado com obras como Andrei Rublev (1966), de Tarkowski, e O Sétimo Selo (1957) de Bergman. Já foi chamado de o Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) tcheco. Rodado em grande parte na neve, tem imagens poderosas, de uma perfeição quase depressiva.

O baile dos bombeiros  (Hoří, má panenko)
1967, Tchecoslováquia, 71’, cor
Direção: Miloš Forman
O ex-chefe do departamento de bombeiros de uma cidade do interior está completando 86 anos. Os bombeiros decidem dar uma festa em sua homenagem, com prêmios e concurso de beleza, e convidam toda a cidade. Porém, nada sai como o planejado. Ocorre toda sorte de imprevistos: incêndios, roubos, “falta de beleza” nas candidatas à rainha do baile. É o primeiro filme colorido de Milos Forman, e gerou uma greve de bombeiros na época. A crítica às instituições já aparece aqui muito forte, e é um tema que o diretor explorará com mais radicalidade depois, em filmes como Um Estranho no Ninho (1975). Foi censurado pelo Partido Comunista em 1968, e comprado pelo cineasta François Truffaut e alguns amigos, o que permitiu sua exibição fora da Tchecoslováquia.

Um verão caprichoso  (Rozmarné léto)
1967, Tchecoslováquia, 74’, cor
Direção: Jiří Menzel
Mais uma obra da NV Tcheca adaptada de um romance de Vladislav Vancura, o filme é sobre três homens de meia-idade que estão passando um dia ensolarado bebendo vinho, fumando cigarros, tomando banho de lago e conversando sobre filosofia, religião, espiritualidade e guerra. Porém, está a caminho uma tempestade que acabará com a diversão. Muitos imprevistos acontecem, e os três acabam se encantando por uma acrobata, que chega à cidade como assistente de um mágico (interpretado pelo diretor do filme).  Inspirado em Um Dia no Campo (1936) de Jean Renoir, um dos filmes preferidos do diretor Jiří Menzel.

A Piada  (Žert)
1968, Tchecoslováquia, 77’, p&b
Direção: Jaromil Jireš
Baseado no livro homônimo de Milan Kundera, que conta uma história verídica do próprio escritor, expulso do Partido Comunista ao ter uma carta interceptada pelo Governo. Na carta, Kundera concordava com a crítica de um amigo ao Regime Comunista. No filme, o Governo intercepta um cartão postal que o protagonista Ludvik  envia para a sua namorada Markéta, com uma piada a respeito dos estudos dela, “O otimismo é o ópio do ser humano. Um espírito “saudável” fede à estupidez. Vida longa a Trotsky”. Ludvik não só é expulso do partido como também condenado a 6 anos de reeducação, que inclui ir para a prisão e para o exército. O filme teve um breve sucesso de bilheteria, depois foi proibido por 20 anos.

O Cremador (Spalovač mrtvol)
1968, Tchecoslováquia, 96’, p&b
Direção: Juraj Herz
Para o cremador Kopfrkingl, transformar o corpo em cinzas significa purificar a alma. Kopfrkingl gosta de seu trabalho e trata bem os filhos e a mulher. Até o dia em que encontra Reinkeová, um ex-companheiro ao lado do qual lutou na Segunda Guerra, que tenta o convencer de seu sangue alemão. Sua mulher, no entanto, é judia e, segundo Reinkeová, pode prejudicar a profissão de Kopfkingl. Este filme foi a indicação oficial da Tchecoslováquia para o prêmio de melhor filme estrangeiro ao Oscar naquele ano. Apesar da violência psicológica e física que emerge das relações de Kopfrkingl com o mundo, que ficam cada vez mais aterrorizantes, o filme não foi imediatamente proibido.

Andorinhas por um fio (Skrivánci na niti)
1969, Tchecoslováquia, 90’, cor
Direção: Jiří Menzel
Trata-se da história, contada de forma lírica, de um saxofonista, um filósofo e um procurador, entre outros coadjuvantes, que são enviados a um ferro-velho para trabalhar como “voluntários”, a fim de se livrarem de seus costumes burgueses, em nome do Socialismo. No setor de lado oposto, trabalham mulheres prisioneiras. Mesmo com toda vigilância, os dois grupos começam a fazer contato, e surgem flertes e até relações amorosas entre eles, ainda que distantes. Filmado em 1968, o filme foi censurado e lançado apenas em 1990, depois da queda do Regime Comunista. No mesmo ano, Menzel ganhou o prêmio (tardio) de melhor diretor no Festival de Berlin.

Fruto do Paraíso (Ovoce stromů rajských jíme)
1969, Tchecoslováquia / Bélgica, 95’, cor
Direção: Věra Chytilová
O filme gira em torno das peripécias de Eva, uma jovem obcecada por um homem de vermelho, que não sabemos quem é, e que pode ou não ser perigoso. A câmera também acompanha Eva e seu namorado, passando o dia em um tipo de spa surrealista, onde eles se deparam com a Tentação. Fábula visual que recria de forma alegórica e psicodélica a história de Adão e Eva, este filme é cheio de sobreposições de cores, colagens e texturas. Uma aventura no Jardim do Éden, com belas mulheres, na companhia de um Diabo medieval – espécie de celebração do pecado, do prazer e da beleza.

Valerie e sua semana de deslumbramentos (Valerie a týden divů)
1970, Tchecoslováquia, 73’, cor
Direção: Jaromil Jireš
Baseado no livro de mesmo nome de Vítězslav Nezval, o filme acompanha a adolescência de Valerie, uma menina que mora com sua avó em uma preservada cidadezinha medieval. Numa celebração de carnaval da cidade, Valerie percebe o despertar de sua sexualidade. Ela se imagina uma jovem rica e poderosa, ao mesmo tempo em que sua avó se transforma numa vampira. O filme é cheio de simbolismos e referências psicanalíticas. Enquanto fantasia, Valerie também lida com sua primeira menstruação, e acompanhamos seus desejos e temores reprimidos, emergindo em imagens góticas e surreais.

 

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